10 de junho de 2011

Juventude e conversão

Era filho do comerciante italiano Pietro di Bernadone dei Moriconi e sua esposa Pica Bourlemont, cuja família tinha raízes francesas. Os pais de Francisco faziam parte da burguesia da cidade de Assis, e graças a negócios bem sucedidos na Provença, França, conquistaram riqueza e bem estar. Na ausência do pai, em viagem à França, sua mãe o batizou com o nome de Giovanni (João, em português, a partir do profeta São João Batista) na igreja construída em homenagem ao padroeiro da cidade, o mártir Rufino. A origem de seu nome Francesco (Francisco) é incerta. Para uns, depois de uma viagem à França, onde o menino teria ficado cativado pela vida francesa, sua música, sua poesia e seu povo, seu pai teria começado a chamá-lo de "francesco", que significa "francês" em italiano. Para outros seu pai teria feito, em vez, uma homenagem ao país natal de sua esposa, embora não haja provas de sua naturalidade francesa. Também foi sugerido que o nome foi dado por seu gosto pela língua francesa, que perdurou por toda a vida de Francisco e era em sua época a linguagem por excelência da literatura cavaleiresca e da expressão amorosa.[4][5]

O nascimento de São Francisco. Pintura anônima na igreja do Convento de Santo Antônio da Paraíba

O menino cresceu e se tornou um jovem popular entre seus amigos, por sua indisciplina e extravagâncias, por sua paixão pelas aventuras, pelas roupas da moda e pela bebida, e por sua liberalidade com o dinheiro, mas mostrava uma índole bondosa. Era nessa época fascinado pelas histórias de cavalaria, e desejava ganhar fama como um herói. Assim, em 1202 alistou-se como soldado na guerra que Assis desenvolvia contra Peruggia, mas foi capturado e permaneceu preso, à espera de um resgate, por cerca de um ano. Ao ser libertado caiu doente, com episódios de febre que duraram quase todo o ano de 1204. Ali se apresentaram as duas afecções que o acompanharam por toda a sua vida: problemas de visão e no aparelho digestivo.[4][5]


Casa onde Francisco nasceu, Assis.



Depois de recuperado tentou novamente a carreira das armas, engajou-se em 1205 no exército papal que lutava contra Frederico II, incentivado por um sonho que tivera. Nele apareceu-lhe alguém chamando-o pelo nome e levando-o a um rico palácio, onde vivia uma linda donzela, e que estava cheio de armas resplandecentes e outros apetrechos de guerra. Indagando de quem eram essas armas esplêndidas e o palácio magnífico, foi-lhe respondido que tudo aquilo era seu e de seus soldados. Animado com a perspectiva de glória, pôs-se a caminho, mas no trajeto teve outro sonho, ou uma visão, onde ouviu, segundo a versão da Legenda trium sociorum, uma voz a dizer: Quem te pode ser de mais proveito? O senhor ou o servo? Como Francisco respondesse: 0 senhor, ouviu novamente a voz: Então por que deixas o senhor pelo servo e o príncipe pelo vassalo?. Confundido, Francisco disse: Que queres que eu faça?, e a voz replicou: Volta para tua terra, e te será dito o que haverás de fazer. Pois deves entender de outro modo a visão que tiveste.[6]

O crucifixo de São Damião. Mestre anônimo do século XII, hoje na Basílica de Santa Clara, Assis.


Giotto di Bondone: Renúncia aos bens mundanos, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis.

Poucos dias depois, já em Assis, durante uma algazarra com seus amigos, teria sido tocado pela presença divina, e desde então, segundo a Legenda, começou a perder o interesse por seus antigos hábitos de vida e mostrar preocupação pelos necessitados. Eleito "rei da juventude" em um festejo folclórico tradicional, em vez de preparar-se para a entrada em uma vida de casado, como seria o costume, retirou-se, conforme relatou seu primeiro biógrafo Tomás de Celano, para uma caverna a fim de meditar, acompanhado de apenas um amigo fiel, para quem revelou suas preocupações e seu desejo de obter o tesouro da sabedoria e de desposar a vida religiosa. Mas ainda era um período de hesitação. Quando tinha arroubos de devoção e os expressava publicamente, era ridicularizado; tinha pesadelos com uma horrível mulher corcunda, e imaginava que esta era a imagem de sua futura vida de pobreza.[5]

Certo dia saiu em um passeio pelos campos nos arredores, e ao penetrar em uma clareira ouviu o som do sino que os leprosos, proscritos pela sociedade, deviam usar para indicar a sua aproximação, e logo se viu frente a frente com o homem doente. Fazia frio e o leproso tinha apenas trapos sobre o corpo. Francisco sempre sentira repulsa dos leprosos, mas nesse momento desceu de seu cavalo e cobriu o homem com seu próprio manto. Espantado consigo mesmo, olhou nos olhos do outro, e viu sua gratidão, e enquanto ele mesmo chorava, beijou aquele rosto deformado pela moléstia. Este parece ter sido o ponto de virada em sua vida, mas sua vocação não se declarou toda subitamente, e a cronologia desses e outros episódios preparatórios para sua conversão não é clara nas fontes antigas. Também parece ter tentado seguir o ofício de seu pai, mas sem conseguir devotar-se a ele. Ao contrário, estava cada vez mais interessado em ajudar os pobres.[4]

Mas certa feita entrou para orar na igreja de São Damião, fora das portas da cidade, e ali, diz a tradição, ele ouviu pela primeira vez a voz de Cristo, que lhe falou de um crucifixo. A voz chamou a sua atenção para o estado de ruína de sua Igreja, e instou para que Francisco a reconstruísse. Imediatamente voltou para sua casa, recolheu diversos tecidos caros da loja de seu pai e os vendeu a baixo preço no mercado da cidade, e voltou para a igreja onde tivera sua revelação doando o dinheiro para o padre, a fim de que ele restaurasse o prédio decadente. Ao saber disso o pai se enfureceu e mandou que o buscassem. Atemorizado, Francisco se escondeu em um celeiro, onde seu amigo lhe levava um pouco de comida. Passado algum tempo, decidiu revelar-se, e diante do povo de Assis se acusou de preguiçoso e desocupado. A multidão o tomou por louco e divertiu-se apedrejando-o. O pai ouviu o tumulto e o recolheu para sua casa, mas o acorrentou no porão. Alguns dias depois sua mãe, por compaixão, livrou-o das correntes, e Francisco foi buscar refúgio junto ao bispo. O pai seguiu-o e o acusou de dissipador de sua fortuna, reclamando uma compensação pelo que ele havia tirado sem licença de sua loja. Então, para a surpresa de todos, Francisco despiu todas as suas belas roupas e as colocou aos pés do pai, renunciou à sua herança, pediu a bênção do bispo e partiu, completamente nu, para iniciar uma vida de pobreza junto do povo, da qual jamais retornou.[4][5] O bispo viu nesse gesto um sinal divino e se tornou seu protetor pelo resto da vida.[7]

A fundação da Ordem e primeiras obras

Ordem dos Frades Menores


Francisco, tomando ao pé da letra o que o crucifixo de São Damião ordenara, iniciou sua nova vida como pedreiro, ajudando a reconstruir diversas igrejas nos arredores de Assis - esta de São Damião, a de São Pedro e a da Porciúncula, que segundo São Boaventura era a que ele mais amava. Nela descobriu, em 1208 ou 1209, na leitura de uma passagem do evangelho de Mateus, as linhas gerais que orientaram sua vocação:

"Ide, disse o Salvador, e proclamai em todas as partes que o Reino do Céu está aberto. Vós recebestes gratuitamente; dai sem receber pagamento. Não leveis nem ouro, nem prata nem cobre em vossos cintos, nem um alforje, nem uma segunda túnica, nem sandálias, nem o cajado de viajante, pois o trabalhador merece ser sustentado. Em qualquer vila em que entrardes procurai alguma pessoa digna, e hospedai-vos com ela até partirdes. E quando entrardes em uma casa, saudai-a; se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz."[8]

Dessa forma, de devoto passou a ser missionário, e começou a pregação da palavra divina, fazendo seus primeiros conversos, entre eles Bernardo de Quintavalle, um rico burguês de Assis, que vendeu tudo o que tinha para dar aos pobres, Pietro Cattani, que foi mais tarde seu sucessor na Ordem, e o Irmão Giles. Nesse período inicial, segundo Celano, teve uma revelação do futuro brilhante de sua Ordem, e ao mesmo tempo das provações que estavam pela frente. Diz o cronista:

"No começo desta nossa vida vamos encontrar alguns frutos doces e deliciosos. Depois serão oferecidos outros de menor sabor e doçura. No fim, serão dados alguns cheios de amargor, de que não poderemos viver, porque sua acidez será intragável para todos, apesar da aparência de frutos belos e cheirosos. Entretanto, como vos disse, o Senhor fará de nós um grande povo"[9]
Giotto: Francisco e seus companheiros diante de Inocêncio III, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis.
Anônimo: São Francisco cortando os cabelos de Santa Clara em sua ordenação, século XV. Deutsches Historisches Museum.

Tendo reunido mais um grupo de seguidores, dirigiu-se para Roma a fim de obter do papa a autorização da primeira Regra para a fundação de sua Ordem, a chamada Regra primitiva, que prescrevia uma pobreza absoluta para os monges e para a Ordem, em imitação literal da vida de Jesus Cristo e seus apóstolos conforme narrada nos Evangelhos, que não possuíam nada pessoalmente nem em comum. Segundo o cronista inglês Matthew Paris, lá chegando, sujos e vestidos pobremente, foram ridicularizados pela corte de Inocêncio III, que mandou não aborrecê-lo com sua Regra, considerada excessivamente rigorosa e impraticável, e que fosse pregar entre os porcos. Tendo-o feito num chiqueiro próximo, coberto de lama voltou para o papa, que refletindo um momento, decidiu recebê-los em uma audiência formal depois que se lavassem. Francisco e seus amigos se prepararam então para esse outro encontro conseguindo o apoio de prelados eminentes para a sua causa. Segundo os relatos antigos, nesse ínterim Inocêncio teve um sonho, onde viu a Basílica de São João de Latrão prestes a desabar, apenas sustentada por um pobre religioso, que ele interpretou como sendo Francisco. Com a recomendação favorável de alguns conselheiros e com o aviso recebido em sonho, Inocêncio finalmente autorizou a Regra, mas não por escrito, nem outorgou o estatuto de Ordem maior ao grupo, apenas permitiu que pregassem e dessem socorro moral às pessoas, mas acrescentando que se eles conseguissem frutos de seu trabalho, voltassem a ele para que sua situação fosse completamente regularizada. Alguns relatos antigos, como o deixado por Roger de Wendover, sugerem que Francisco e seus companheiros não ficaram completamente satisfeitos com o resultado de seu encontro com o papa, e em seu caminho de volta, ao pararem em Spoleto, parece ter havido uma crise entre o grupo. Alguns teriam se inclinado a abandonar a pregação para viverem como monges eremitas, desiludidos com a ostentação de luxo da corte papal. Também nessa ocasião parece ter ocorrido o célebre Sermão aos pássaros, mas os cronistas divergem na sua descrição. Para Wendover ele foi a manifestação da revolta de Francisco, que teria mandado as aves devorarem os poderosos, mas os que seguem a versão de Celano o referem como um idílio cheio de poesia e doçura.[10][11]

Chegando em Assis, instalaram-se em uma cabana no campo, onde se dedicaram ao cuidado dos leprosos, ao trabalho manual e à pregação, vivendo de esmolas. Logo a cabana se tornou pequena para o crescente número de irmãos, mas o abade do mosteiro beneditino do Monte Subásio lhes concedeu em fins de 1210 o uso da capela da Porciúncula e de uma terra adjacente. Entre os novos amigos de Francisco estavam o Irmão Leo, seu futuro confessor e amigo inseparável, o Irmão Ruffino, que segundo a lenda pregava até dormindo, o Irmão Juniper, o Irmão Masseo e o Irmão Illuminato. Nesse período sua pregação já alcançara toda a região entorno, mas não eram sempre bem recebidos. Em 1212 a Ordem foi enriquecida com a primeira mulher, Clara d'Offreducci, a futura Santa Clara, fundadora do ramo feminino dos Frades Menores, as Clarissas, que logo trouxe suas irmãs, a quem foi dado o uso da capela de São Damião. No mesmo ano fizeram sua primeira tentativa, frustrada, de evangelizar os sarracenos na Síria, mas não conseguiram chegar ao seu destino e acabaram voltando a Assis com grande dificuldade. Durante a viagem de navio, conta a tradição que o santo fez o milagre de pacificar uma tempestade e de multiplicar a comida dos marinheiros, que terminava. Nessa época seus milagres foram numerosos. Em Ascoli curou enfermos e fez muitas conversões, em Arezzo os arreios de um cavalo que ele havia tocado curaram uma mãe em perigoso trabalho de parto, em Narni curou um paralítico, em San Gimignano expulsou demônios, e em Gubbio pacificou um lobo que assolava a região, entre muitos outros prodígios. Sua fama como santo já se espalhava, e recebeu em doação o monte Alverne para que erguesse ali um refúgio para os irmãos. Em 1214 se dirigiu para o Marrocos para pregar entre os mouros, mas só pôde chegar à Espanha, onde caiu doente, mas outros irmãos prosseguiram.[12] Em 1219, durante a Primeira Cruzada, foi ao Egito, encontrou-se com os cruzados que assediavam Damietta, profetizando sua derrota, em seguida manteve uma entrevista com o sultão Al-Kamil que, impressionado, ao fim da visita pediu que Francisco orasse para que Deus lhe mostrasse a forma de cultuá-lo que fosse de seu agrado e permitiu que pregasse entre seus súditos.[13] Dali passou para a Palestina, peregrinando pelos lugares santos, onde recebeu a notícia de que os irmãos no Marrocos haviam sido martirizados, e que a comunidade em Assis, na sua longa ausência, estava em crise.[12]


Tiago Bispo da Silva

Fraternidade Sementes da Paz

Itabuna-Ba

A ÁRVORE DOS MEUS AMIGOS



Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso
caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo. Há muitos tipos de amigos.

Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles.

O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida.

Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós.

Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.

Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...

Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então e chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.

Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.

Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.

O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas.

Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações.

Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho.

Desejo a você, folha da minha árvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade...
Hoje e Sempre... simplesmente porque: "Cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso".

Agnes Pereira Bispo da Silva
Fraternidade Sementes da paz
Itabuna- Ba

7 de junho de 2011

O Tau Franciscano

Tau - Símbolos e Significados

Há certos sinais que revelam uma escolha de vida. O TAU, um dos mais famosos símbolos franciscanos, hoje está presente no peito das pessoas num cordão, num broche, enfeitando paredes numa escultura expressiva de madeira, num pôster ou pintura. Que escolha de vida revela o TAU? Ele é um símbolo antigo, misterioso e vital que recorda tempo e eternidade. A grande busca do humano querendo tocar sempre o divino e este vindo expressar-se na condição humana.







Horizontalidade e verticalidade. As duas linhas: Céu e Terra! Temos o símbolo do TAU riscado nas cavernas do humano primitivo. Nos objetos do Faraó Achenaton no antigo Egito e na arte da civilização Maia. Francisco de Assis o atualizou e imortalizou. Não criou o TAU, mas o herdou como um símbolo seu de busca do Divino e Salvação Universal.

TAU, SINAL BÍBLICO

Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9, 1-7: "Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem". O TAU é a mais antiga grafia em forma de cruz. Na Bíblia é usado como ato de assinalar. Marcar com um sinal é muito familiar na Bíblia. Assinalar significa lacrar, fechar dentro de um segredo, uma ação. É confirmar um testemunho e comprometer aquele que possui o segredo. O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção. É segurança e redenção, voltar-se para o Divino, sopro criador animando nossa vida como aspiração e inspiração.
















O TAU NA IDADE MÉDIA


Vimos o significado salvífico que a letra hebraica do TAU recebe na Bíblia. Mas o TAU tem também um significado extrabíblico, bastante divulgado na Idade Média: perfeição, meta, finalidade última, santo propósito, vitória, ponto de equilíbrio entre forças contrárias. A sua linha vertical significa o superior, o espiritual, o absoluto, o celeste. A sua linha horizontal lembra a expansão da terra, o material, a carne. O TAU lembra a imagem do sustentáculo da serpente bíblica: clavada numa estaca como sinal da vitória sobre a morte. Uma vitória mística, isto é, nascer para uma vida superior perfeita e acabada. É cruz vitoriosa, perfeição, salvação, exorcismo. Um poder sobre as forças hostis, um talismã de fé, um amuleto de esperança usado por gente devota sensível.

O TAU DO PENITENTE

Francisco de Assis viveu em um ambiente no qual o TAU estava carregado de uma grande riqueza simbólica e tradicional. Assumiu para si a marca do TAU como sinal de sua conversão e da dura batalha que travou para vencer-se. Não era tão fácil para o jovem renunciar seus sonhos de cavalaria para chegar ao despojamento do Crucificado que o fascinou. Escolhe ser um cavaleiro penitente: eliminar os excessos, os vícios e viver a transparência simples das virtudes. Na sua luta interior chegou a uma vitória interior. Um homem que viveu a solidão e o desafio da comunhão fraterna; que viveu o silêncio e a canção universal das criaturas; que experimentou incompreensão e sucesso, que vestiu o hábito da penitência, que atraiu vidas, encontrou um modo de marcar as paredes de Santa Maria Madalena em Fontecolombo, de assinar cartas com este sinal. De lembrar a todos que o Senhor nos possui e nos salva sob o signo do TAU.

O TAU FRANCISCANO

O TAU franciscano atravessa oito séculos sendo usado e apreciado. É a materialização de uma intuição. Francisco de Assis é um humano que se move bem no universo dos símbolos. O que é o TAU franciscano? É Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direcionada para um grande bem. Significa lutar e discernir o verdadeiro e o falso. É curar e vivificar. É eliminar o erro, a mentira e todo o elemento discordante que nega a paz. É unidade e reconciliação. Francisco de Assis está penetrado e iluminado, apaixonado e informado pela Palavra de Deus, a Palavra da Verdade. É um batalhador incansável da Paz, o Profeta da Harmonia e Simplicidade. É a encarnação do discernimento: pobre no material, vencedor no espiritual. Marcou-se com este sinal da luz, vida e sabedoria.

O TAU COMO IDEAL

No mês de novembro de 1215, o Papa Inocêncio III presidia um Concílio na Igreja Constantiniana de Roma. Lá estavam presentes 1.200 prelados, 412 bipos, 800 abades e priores. Entre os participantes estavam São Domingos e São Francisco. Na sessão inaugural do Concílio, no dia 11 de novembro, o Papa falou com energia, apresentou um projeto de reforma para uma Igreja ferida pela heresia, pelo clero imerso no luxo e no poder temporal. Então, o Papa Inocêncio III recordou e lançou novamente o signo do TAU de Ezequiel 9, 1-7. Queria honrar novamente a cristandade com um projeto eclesial de motivação e superação. Era preciso uma reforma de costumes. Uma vida vivida numa dimensão missionária mais vigorosa sob o dinamismo de uma contínua conversão pessoal. São Francisco saiu do Concílio disposto a aceitar a convocação papal e andou marcando os irmãos com o TAU, vibrante de cuidado, ternura e misericórdia aprendida de seu Senhor.

O TAU NAS FONTES FRANCISCANAS

Os biógrafos franciscanos nos dão testemunhos da importância que São Francisco dava ao TAU: "O Santo venerava com grande afeto este sinal", "O sinal do TAU era preferido sobre qualquer outro sinal", "O recomendava, freqüentemente, em suas palavras e o traçava com as próprias mãos no rodapé das breves cartas que escrevia, como se todo o seu cuidado fosse gravar o sinal do TAU, segundo o dito profético, sobre as fontes dos homens que gemem e lutam, convertidamente a Jesus", "O traçava no início de todas as suas ações", "Com ele selava as cartas e marcava as paredes das pequenas celas" (cf. LM 4,9; 2,9; 3Cel 3). Assim Francisco vestia-se da túnica e do TAU na total investidura de um ideal que abriu muitos caminhos.

TAU, SINAL DA CRUZ VITORIOSA

Cruz não é morte nem finitude, mas é força transformante; é radicalidade de um Amor capaz de tudo, até de morrer pelo que se ama. O TAU, conhecido como a Cruz Franciscana, lembra para nós esta deslumbrante plenitude da Beleza divina: amor e paz. O Deus da Cruz é um Deus vivo, que se entrega seguro e serenamente à mais bela oferenda de Amor. Para São Francisco, o TAU lembra a missão do Senhor: reconciliadora e configuradora, sinal de salvação e de imortalidade; o TAU é uma fonte da mística franciscana da cruz: quem mais ama, mais sofre, porque muito ama, mais salva. Um poeta dos primeiros tempos do franciscanismo conta no "Sacrum Comercium", a entrega do sinal do TAU à Dama Pobreza pelo Senhor Ressuscitado, que o chama de "selo do reino dos céus". À Dama Pobreza clamam os menores: "Eia, pois, Senhora, tem compaixão de nós e marca-nos com o sinal da tua graça!" (SC 21,22).

O TAU E A BÊNÇÃO

Francisco se apropriou da bênção deuteronômica, transcreveu-a com o próprio punho e deu a Frei Leão: "Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a tua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz. Irmão Leão; o Senhor te abençoe!" Sob o texto da bênção, o próprio Frei Leão fez a seguinte anotação: "São Francisco escreveu esta bênção para mim, Irmão Leão, com seu próprio punho e letra, e do mesmo modo fez a letra TAU como base". Assim, Francisco, num profundo momento de comunicação divina, com delicadeza paternal e maternal, abençoa seu filho, irmão, amigo e confidente. Abençoar é marcar com a presença, é transmitir energias que vêm da profundidade da vida. O Senhor te abençoe!

O TAU E A CURA DOS ENFERMOS

No relato de alguns milagres, conta-se que Francisco fazia o sinal da cruz sobre a parte enferma dos doentes. Após ter recebido os estigmas no Monte Alverne, Francisco traz em seu corpo as marcas do Senhor Crucificado e Ressuscitado. Marcado pelo Senhor, imprime a marca do Senhor que salva em tudo o que faz. Conta-nos um trecho das Fontes Franciscanas que um enfermo padecia de fortes dores; invoca Francisco e o santo lhe aparece e diz que veio para responder ao seu chamado, que traz o remédio para curá-lo. Em seguida, toca-lhe no lugar da dor com um pequeno bastão arrematado com o sinal do TAU, que traz consigo. O enfermo ficou curado e permaneceu em sua pele, no lugar da dor, o sinal do TAU (cf. 3Cel159). O Senhor identifica-se com o sofrimento de seu povo. Toma a paixão do humano e do mundo sobre si. Afasta a dor e deixa o sinal de Amor.

A COR DO TAU

O TAU, freqüentemente, é reproduzido em madeira, mas quando, pintado, sempre vem com a cor vermelha. O Mestre Nicolau Verdun, num quadro do século XII, representa o Anjo Exterminador que passa enquanto um israelita marca sobre a porta de sua casa um TAU com o Sangue do Cordeiro Pascal que se derrama num cálice. O Vermelho representa o sangue do Cordeiro que se imola para salvar. Sangue do Salvador, cálice da vida! Em Fontecolombo, Francisco deixou o TAU grafado em vermelho. O TAU pintado na casula de Frei Leão no mural de Greccio também é vermelho. O pergaminho escrito para Frei Leão no Monte Alverne, marca em vermelho o Tau que assina a bênção. O Vermelho é símbolo da vida que transcende, porque se imola pelos outros. Caminho de configuração com Jesus Crucificado para nascer na manhã da Ressurreição.

O TAU NA LINGUAGEM

O TAU é a última letra do alfabeto judaico e a décima nona letra do alfabeto grego. Não está aí por acaso; um código de linguagem reflete a vivência das palavras. O mundo judaico e, conseqüentemente, a linguagem bíblica mostram a busca do transcendente. É preciso colocar o Deus da Vida como centro da história. É a nossa verticalidade, isto é, o nosso voltar-se para o Alto. O mundo grego nos ensinou a pensar e perguntar pelo sentido da vida, do humano e das coisas. Descobrir o significado de tudo é pisar melhor o chão, saber enraizar-se. É a nossa horizontalidade. A Teologia e a Filosofia são servas da fé e do pensamento. Quem sabe onde está parte para vôos mais altos. É como o galho de pessegueiro, cortado em forma de tau é usado para buscar veios d'água. Ele vibra quando a fonte aparece cheia de energia. Coloquemos o tau na fonte de nossas palavras!

O TAU, O CORDÃO E OS TRÊS NÓS

Em geral, o Tau pendurado no pescoço por um cordão com três nós. Esse cordão significa o elo que une a forma de nossa vida. O fio condutor do Evangelho. A síntese da Boa Nova são os três conselhos evangélicos=obediência, pobreza, pureza de coração. Obediência significa acolhida para escutar o valor maior. Quem abre os sentidos para perceber o maior e o melhor não tem medo de obedecer e mostra lealdade a um grande projeto. Pobreza não é categoria econômica de quem não tem, mas é valor de quem sabe colocar tudo em comum. Ser pobre, no sentido bíblico-franciscano, é a coragem da partilha. Ser puro de coração é ser transparente, casto, verdadeiro. É revelar o melhor de si. Os três nós significam que o obediente é fiel a seus princípios; o pobre vive na gratuidade da convivência; o casto cuida da beleza do seu coração e de seus afetos. Tudo isto está no Tau da existência!

USAR O TAU É LEMBRAR O SENHOR

Muita gente usa o Tau. Não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda um caminho de salvação que vai sendo feito ao seguir, progressivamente, o Evangelho. Usar o TAU é colocar a vida no dinamismo da conversão: Cada dia devo me abandonar na Graça do Senhor, ser um reconciliado com toda a criatura, saudar a todos com a Paz e o Bem. Usar o TAU é configurar-se com aquele que um dia ilumina as trevas do nosso coração para levar-nos à caridade perfeita. Usar o TAU é transformar a vida pela Simplicidade, pela Luz e pelo Amor. É exigência de missão e serviço aos outros, porque o próprio Senhor se fez servo até a morte e morte de Cruz.

O que significa a saudação Paz e Bem















A saudação franciscana de "Paz e Bem" tem sua origem na descoberta e na vocação do envio dos discípulos, que São Francisco descobriu no Evangelho e, que ele colocou na Regra dos Frades Menores - "o modo de ir pelo mundo". Lucas (10,5) fala na saudação "A paz esteja nesta casa", e Francisco acrescenta que a saudação deve ser dada a todas as pessoas que os frades encontrarem pelo caminho: "O Senhor vos dê a paz".

No seu Testamento, Francisco revela que recebeu do Senhor mesmo esta saudação. Portanto, ela faz parte de sua inspiração original de vida: anunciar a paz. Muito antes de São Francisco, o Mestre Rufino (bispo de Assis, na época em que Francisco nasceu), já escrevera um tratado, "De Bono Pacis" - "O Bem da paz" e, que certamente deve ter influenciado a mística da paz na região de Assis. Haviam, então, diferentes formas de saudação da paz, entre elas a de "Paz e Bem".

A paz interior como fundamento da paz exterior

Na Legenda dos três companheiros (58), São Francisco dá para seus frades, o significado único para a paz:"A paz que anunciais com a boca, mais deveis tê-la em vossos corações. Ninguém seja por vós provocado à ira ou ao escândalo, mas todos por vossa mansidão sejam levados à paz, a benignidade e à concórdia. Pois é para isso que fomos chamados: para curar os feridos, reanimar os abatidos e trazer de volta os que estão no erro".

Trata-se da paz do coração que conquistaram. Francisco exorta seus frades a anunciar a paz e a testemunhá-la com doçura, porque este é o único caminho de comunicação para atrair todos os homens para a verdadeira paz, a bondade e a concórdia.

A saudação da paz, como primeira palavra que os frades dirigem aos outros, tem o objetivo de abrir os corações à paz, isto é, à força espiritual interior: a paz interior da bem-aventurança e a paz proclamada e dirigida a todos, constituem uma única e mesma realidade.

O Bem da paz - o "Sumo Bem"

Deus Sumo Bem é a experiência fundamental de Francisco, o ponto de partida de sua espiritualidade. Nela se fundamenta a vida franciscana como resposta de amor, configurando o amado ao Amor. Portanto, "Bem" é Deus-Amor, é a caridade.

Deus, o Sumo Bem, chamou a todos a participarem do seu Ser, não no sentido de "soma de todos os bens divinos", mas Deus, enquanto "bem único". Por isso, a atitude típica de São Francisco é o êxtase adorante e a decisão de estar sempre a serviço deste Deus; um serviço que nasce da alegria da gratidão. É a atitude que projeta em Deus a completude de si mesmo, que leva a renúncia a tudo, até à posse de Deus. Francisco descobre neste "vazio", a presença de Deus, unicamente como "dom".

E é justamente este o sentido da resposta humana, a da conversão ao Bem, ao "Sumo Bem": aceitar Deus como centro absoluto da própria existência, e inserir-se no seu projeto tornando-se seu colaborador. Desta experiência nasce a "doçura", que enche a vida de Francisco, a sua necessidade de entregar tudo a Deus (pobreza), de render-lhe graças e louvá-lo sem cessar. Desta experiência nasce também a confiança de tudo arriscar, sabendo que Deus não o deixará desamparado.

"Paz e Bem" - A paz se constrói pela caridade

Portanto, a saudação franciscana de "Paz e Bem" é um programa de vida, é uma forma evangélica de viver o espírito das bem-aventuranças. Nestas duas pequenas palavras se esconde um dinamismo e uma provocação: saudar alguém com "Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa dEle, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.

Daí que, a paz só se constrói por meio da caridade (o Bem), porque a caridade é "forte como a morte" (ct 8,6); à qual ninguém resiste e, quando vem, mata o mal que fomos para que sejamos outro bem. A caridade gera a paz. A caridade está na paz assim como o espírito da vida está no corpo. A caridade sozinha mantém firmemente unidos na paz os filhos da Igreja; faltando a caridade, esta paz se dissolve. A caridade vivifica os membros de Cristo, os une e os faz estar em harmonia num só corpo. Ela é como um cabo, em cuja parte superior foi aplicado um gancho que liga a divindade à humanidade, o cordão que o senhor colocou na terra e com o qual ergueu o homem para o céu" (Mestre Rufino).


Tiago Bispo da Silva

secretario fraterno da fraternidade Sementes da Paz

Itabuna-Bahia

5 de junho de 2011

VOCAÇÃO FRANCISCANA


1. O QUE É “VOCAÇÃO”? POR QUE “FRANCISCANA”?
a) “A palavra vocação deriva do verbo latino vocare, que significa simplesmente “chamar”. Ela é, pois, a tradução do termo vocatione, que por sua vez quer dizer chamado, chamada, convite, apelo. Por detrás de todos esses termos está a raiz vox, vocis, isto é, voz. Portanto, vocação quer dizer tão-somente chamamento ou chamado. Nada mais!
Esse significado etimológico é muito importante. Ele nos ajuda a corrigir certa distorção implantada aos poucos no sentido da palavra vocação. De fato, numa visão corriqueira, existe uma forte tendência que leva muito facilmente as pessoas a identificar a vocação como pura e simplesmente uma inclinação ou aptidão. Ao que tudo indica, ela é vista muito mais como um gosto pessoal. É verdade que essa aptidão ou inclinação deve existir. O que não podemos esquecer, porém, é que ela é uma conseqüência. No conceito de vocação, o que aparece em primeiro lugar é o ato de chamar, o chamado. A aptidão, a inclinação são secundárias, vêm como resposta à proposta recebida. Os bons dicionários da língua portuguesa registram esse significado. O Aurélio, por exemplo, explica vocação como ato de chamar, escolha, predestinação. Só num terceiro e quarto momentos a define também como tendência, disposição, pendor, talento e aptidão.
Vemos assim que a própria expressão semântica da palavra vocação ajuda a entender melhor seu significado teológico. Não excluindo o aspecto da aptidão, ela já nos mostra com clareza que a vocação não pode ser reduzida a isso. Antes da inclinação encontra-se algo muito mais essencial; algo que fundamenta e dá sentido ao gosto pessoal e à tendência. A própria etimologia nos diz que reduzir a vocação à simples aptidão seria esvaziá-la completamente. Ninguém seria levado a fazer alguma coisa, a gostar de algo, se não fosse ao mesmo tempo atraído pela força misteriosa do chamamento” (Pe. José Lisboa Moreira de Oliveira, SDV, no livro “Teologia da vocação: temas fundamentais”, IPV/Ed. Loyola, p. 19).

b) Quando usamos o adjetivo franciscano ou franciscana queremos nos referir a tudo o que está relacionado a São Francisco de Assis e à sua espiritualidade. Porém, é necessário que tenhamos muita clareza da consciência que São Francisco tinha de não ser o dono de nada nem de ninguém nem o autor de nada. As palavras que ele usa em seu Testamento deixam muito clara a certeza que ele tinha da ação de Deus em sua vida: O Senhor me concedeu... O Senhor me conduziu... O Senhor me deu... O Senhor me revelou... Estas palavras, dentre muitas e muitas outras presentes em seus escritos, demonstram “a base da experiência vocacional de Francisco e de Clara de Assis e, como tais, apontam a direção, indicam o jeito franciscano de trabalhar o processo vocacional” (Cf. Fundamentos para uma Pastoral Vocacional Franciscana, SAV-FFB, p. 19). Portanto, cultivar a vocação franciscana exige basicamente esta profunda atitude de pobreza: é Deus que realiza tudo em mim, sou seu instrumento, todo bem vem d’Ele e para Ele há de retornar, pois Ele é a fonte de todo o bem e só Ele faz maravilhas (cf. Lc 1,49).

2. ELEMENTOS BÁSICOS DA VOCAÇÃO FRANCISCANA
a) Seguir Jesus Cristo
Francisco e Clara de Assis tiveram como atitude fundamental em suas vidas seguir Jesus Cristo pobre, humilde e crucificado e viver a pobreza e a humildade de sua Santa Mãe Maria, como discípulos fiéis ao Evangelho. Este seguimento de Jesus Cristo estava afirmado num tripé: o Cristo do presépio (daí a sua predileção pelo Natal do Senhor), o Cristo da Ceia (que se expressava numa ardente devoção pela Eucaristia) e o Cristo da Cruz (as palavras “O Amor não é amado” expressam bem a preocupação de Francisco pela ingratidão da humanidade diante do Amor de Jesus crucificado, que se doa integralmente pela salvação de todos). Eis aí o fundamento da mística e da espiritualidade franciscana (Cf. idem, p. 20).

b) Como irmãos(ãs) menores
O seguimento de Jesus Cristo implica necessariamente em aprender a grande lição que Deus nos dá vindo ao mundo: Ele se faz nosso irmão! Ele se faz menor! Assim, os irmãos e as irmãs menores são chamados a se amarem e se nutrirem mutuamente a modo de mãe e filho: “Se a mãe ama e nutre seu filho segundo a carne, quanto mais cada um deve amar e nutrir seu irmão segundo o espírito” (RnB 9,14)! E, como irmãos e irmãs, fazem-se servidores de todos, especialmente daqueles com os quais Jesus se identificou e serviu (Cf. Mt 25,34-40; Lc 6,20-23).

c) Numa fraternidade universal
Somos parte da grande obra da Criação que Deus realizou e continua realizando no mundo. Somos irmãos e irmãs de todas as criaturas e de todas as coisas criadas por Ele. O Cântico do Irmão Sol expressa de forma singular esta consciência cósmica de São Francisco, este modo de se sentir parte de um grande todo e de viver entre todos a Fraternidade universal, onde devem reinar relações de amor, justiça, paz e serviço, como filhos aprendendo a lição do Pai-Criador e convidando a tudo e a todos a louvá-Lo!

d) Itinerantes e missionários, como profetas da alegria
O testemunho alegre de vida é a expressão clara de quem se deixou levar pela dinâmica de Francisco e Clara de Assis. Pobres, desapegados, livres, sem amarra nenhuma, somos enviados pelo mundo a testemunhar a alegria de ser amados(as) por Deus, a anunciar o Caminho que Ele nos propõe para sermos felizes de verdade e a denunciar profeticamente tudo que fere a imagem de Jesus Cristo nos seus filhos e filhas, especialmente os mais pobres e desvalidos deste mundo, preferidos de Deus.

3. CONDIÇÕES PARA VIVER A VOCAÇÃO FRANCISCANA
a) A “inspiração divina”
Como vimos acima, vocação é chamado amoroso de Deus, é dom de Deus. Como chamado de Deus, exige uma atitude de fé e de serviço filial a Ele. Deus deve ser Aquele que suscita o chamado em mim, é Ele quem me concede este dom. Não se trata de tão simplesmente fazer a minha vontade, satisfazer os meus gostos e atender às minhas tendências, mas, sim, desejar ardentemente fazer a vontade de Deus, pois é Ele quem me conhece a fundo e sabe o caminho melhor para me fazer livre e feliz! Francisco e Clara cresceram nesta certeza.

b) “Querer abraçar esta vida”
A resposta ao chamado deve ser livre, idônea, madura, responsável. Contando com a graça de Deus, é claro, para ser fiel a esta resposta, que se traduz depois em compromisso de vida. A liberdade em dar a resposta caminha junto com a vontade de viver a vocação no dia a dia, sempre de novo renovando o entusiasmo e a alegria presentes no ponto de partida.

c) “Deixar tudo” (cf. Lc 14, 26-27.33)
A confiança (FÉ) n’Aquele que chama é a atitude básica que me faz disponível a me entregar inteiramente a Ele, desamarrando-me de tudo e de todos que me possam dificultar o “ir pelo mundo”. Esta atitude só é possível quando, de fato, se trata de vocação, ou seja, de inspiração divina. Deus mesmo, que chama, nos dá as forças necessárias para assumi-Lo como o Tudo. Só Ele nos bastará! Francisco expressa isto certamente com aquelas palavras “Meu Deus e meu tudo!”. Francisco e Clara de Assis buscaram a pobreza ao extremo para melhor se aproximarem do Cristo pobre.

d) Disposição e abertura para a vida fraterna minorítica
“A vocação franciscana inclui o viver em comunhão com tudo e com todos, em desprendimento, itinerante, dispondo-se para o exercício da fraternidade, em desprendimento, na renúncia de si, das coisas, dos lugares...” (Fundamentos..., p. 24) Ser fraterno, ser menor – eis aí a expressão da vida franciscana. São Francisco quis que seus Irmãos fossem menores.

Tiago Bispo da Silva

Fraternidade sementes da paz

Itabuna-Bahia

A Juventude Franciscana

Foi na Sua juventude que Francisco iniciou o seu caminho de fé. Estava sempre à procura de qualquer coisa a mais: tinha tantos planos e projectos para a sua vida, era um jovem com grandes sonhos e procurava respostas às suas interrogações sobre o sentido da vida. Crescendo, porém, Francisco intuiu que faltava-lhe algo mais e começou, sobretudo depois da experiência de guerra e de uma grave doença, a pôr-se à escuta de Deus.

Digamos que Francisco era um jovem como tantos outros jovens, os quais mesmo nos dias que correm procuram respostas às muitas perguntas que trazem no cora

A Juventude Franciscana (JuFra)

A Juventude Franciscana (JuFra), dentro do seu contexto e no meio dos outros jovens testemunha com a vida a beleza de seguir Jesus Cristo à maneira do jovem Francisco e, com ele e como ele pergunta assiduamente: Senhor, que queres que eu faça?

A Juventude Franciscana nasceu em Itália em 1948 (há 60 anos) e é uma fraternidade de jovens (dos 14 aos 30 anos) que se sentem chamados pelo Espírito Santo a viver em fraternidade a experiência de vida cristã à luz da mensagem de São Francisco de Assis, dentro da Ordem Franciscana Secular (OFS). Digamos que a JuFra é o rosto jovem do Movimento Franciscano

05 DE JUNHO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

No dia 05 de junho comemora-se o dia do meio ambiente.


Cuidar é a melhor forma de preservar

A criação da data foi em 1972, em virtude de um encontro promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas), a fim de tratar assuntos ambientais, que englobam o planeta, mais conhecido como conferência das Nações Unidas.

A conferência reuniu 113 países, além de 250 organizações não governamentais, onde a pauta principal abordava a degradação que o homem tem causado ao meio ambiente e os riscos para sua sobrevivência, onde a diversidade biológica deveria ser preservada acima de qualquer possibilidade.

Nessa reunião, criaram-se vários documentos relacionados às questões ambientais, bem como um plano para traçar as ações da humanidade e dos governantes diante do problema.

A importância da data é devido às discussões que se abrem sobre a poluição do ar, do solo e da água; desmatamento; diminuição da biodiversidade e da água potável ao consumo humano, destruição da camada de ozônio, destruição das espécies vegetais e das florestas, extinção de animais, dentre outros.

A partir de 1974, o Brasil iniciou um trabalho de preservação ambiental, através da secretaria especial do meio ambiente, para levar à população informações acerca das responsabilidades de cada um diante da natureza.

Mas em face da vida moderna, os prejuízos ainda estão maiores. Uma enorme quantidade de lixos é descartada todos os dias, como sacos, copos e garrafas de plástico, latas de alumínio, vidros em geral, papéis e papelões, causando a destruição da natureza e a morte de várias espécies animais.

A política de reaproveitamento do lixo ainda é muito fraca, em várias localidades ainda não há coleta seletiva; o que aumenta a poluição, pois vários tipos de lixos tóxicos, como pilhas e baterias são descartados de qualquer forma, levando a absorção dos mesmos pelo solo e a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.

É importante que a população seja conscientizada dos males causados pela poluição do meio ambiente, assim como de políticas que revertam tal situação.

E cada um pode cumprir com o seu papel de cidadão, não jogando lixo nas ruas, usando menos produtos descartáveis e evitando sair de carro todos os dias. Se cada um fizer a sua parte o mundo será transformado e as gerações futuras viverão sem riscos.

Por Jussara de Barros

1 de junho de 2011

Formação Básica da Jufra


Durante 29 e 30 de maio ocorreu FBJ ( Formação Básica da Jufra) em Jaguaquara Bahia, neste encontro 10 Jovens aceitaram a proposta de seguir a Cristo a exemplo de São Francisco de Assis. Estavam presentes Jufristas de Vitória da Conquista, Itabuna, Jequié e Jaguaquara. Contamos com a presença da animadora Fraterna Ana Ferreira, a qual foi representando a Ministra da OFS do Regional B3 Maria de Lourdes. Houve a participação dos Frades Capuchinhos de Jaguaquara e Itabuna..

No dia 30 de maio, ocorreu, também em jaguaquara, a oficialização da Jufra Mensageiro franciscano (vitória da Conquista), esta Fraternidade é exemplo de superação e união, e desejamos tenha mais força a cada dia para superar os obstáculos que vocês enfrentam e irão encontrar, e que tenham fé e esperanças renovadas a cada dia!

Agradeço a todos que tiveram presente no encontro de formação, de forma Fraternidade Água viva, que nos acolheu e ajudou abrilhantar o encontro.

Um forte abraço a todos(as)!

Paz e Bem

Gésus de Almeida Trindade

Secretário regional NEB4


17 de abril de 2011

Visita ao POÇO ESCURO
"A Criação Geme em Dores de parto"(Rm 8,22)


Há quem diga que a humanidade tende ao crescimento, à inovação em busca de melhorias, contudo, acaba não se dando conta do paradoxo causado, onde a busca desenfreada pelo desenvolvimento desencadeia diversos malefícios à própria humanidade bem como à natureza," fonte de vida de todas as criaturas".

Com o tema "Fraternidade e a vida no planeta", a Campanha da Fraternidade 2011 vem nos chamar a desenvolver atividades concretas a favor do meio ambiente em nossas comunidades. Com esse intuito, a juventude da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, de Vitória da Conquista, realizou coleta de lixo na Pça Sá Barreto e visitou a Reserva Natural do Poço Escuro, onde vivenciaram um momento fraterno com lanches coletivos, trilha e oração.




10 de abril de 2011

Visita fraterna na Fraternidade Água Viv



A fraternidade Água Viva, situada na cidade de Jaguaquara Bahia, recebeu hoje (10/04/2011) a visita de alguns membros do regional NEB4. Durante a visita foram esclarecidas alguns íntens importantes sobre a formação. o Regional apresentou o caderno de formação e a cartilha da ação evangelizadora e divulgou o novo blog do regional.
O Regional agradece o acolhimento e alegria dos Jufrista de Jaguaquara e dos Frades!

4 de abril de 2011

PROPOSTA DE ROTEIRO BÁSICO PARA O ENCONTRO DA FRATERNIDADE- Quaresma

SECRETARIADO FRATERNO NACIONAL DA JUFRA DO BRASIL
Subsecretaria de Ação Evangelizadora
Largo São Francisco, 173 – Centro – São Paulo / SP
CEP: 01005-010

PROPOSTA DE ROTEIRO BÁSICO PARA O ENCONTRO DA FRATERNIDADE

TEMA I: QUARESMA

1. PREPARAÇÃO DO AMBIENTE: Bíblia, terço, velas, imagem de Jesus Cristo etc.

2. ACOLHIDA: Irmãos/ãs estamos aqui reunidos para fazer memória deste tempo tão
importante em nossas vidas, pois aqui relembramos os 40 dias de Jesus Cristo no deserto
sofrendo com a fome e a sede além das tentações do maligno.

3. CANTO: Eis me aqui Senhor
Eis-me aqui Senhor!
Eis-me aqui Senhor!
Pra fazer Tua Vontade pra viver do Teu Amor
Pra fazer Tua Vontade pra viver do Teu amor
Eis-me aqui Senhor!
1. O Senhor é o Pastor que me conduz
Por caminhos nunca vistos me enviou
Sou chamado a ser fermento sal e luz
E por isso respondi: aqui estou!
2. Ele pôs em minha boca uma canção
Me ungiu como profeta e trovador
Da história e da vida do meu povo
E por isso respondi: aqui estou!

4. REFLEXÃO COLETIVA (relacionada ao tema do dia)

No início da quaresma é lembrado o momento que Jesus viveu 40 dias em
reflexão profunda, sendo assim a Igreja nos convida a fazermos também o nosso
momento de reflexão para lembrarmos todo o sofrimento passado por Jesus Cristo para
nos salvar. Dentro da quaresma a Igreja pede que além da oração façamos jejum e
penitência. Nesse momento somos convidados a partilhar nossa reflexão: Como é o
nosso momento de quaresma? Como passamos, vivemos e o que fazemos?

5. TEXTO PARA DISCUSSÃO: O QUE É QUARESMA?

A palavra Quaresma vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o
período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a Ressurreição
de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o
século IV.
Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, à conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual.
Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais. Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A Igreja Católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade.
Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência.
A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

6. REFLEXÃO DO TEXTO

1) O que devemos realizar para que a nossa quaresma seja vivenciada bem mais próxima de Jesus?
2) Qual o meu papel no meio da sociedade em quanto cristão que vivencia o evangelho e o tempo da quaresma?

7. ORAÇÃO

Pai nosso, que estais no Céu, durante esta época de arrependimento, tende misericórdia de nós. Com nossa oração, nosso jejum e nossas boas obras; transformai o nosso egoísmo em generosidade. Abri nossos corações à vossa Palavra curai as nossas feridas do pecado, ajudai-nos a fazer o bem neste mundo.
Que transformemos a escuridão e a dor em vida e alegria. Concedei-nos estas coisas por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!
8. CANTO – Quero te dar a paz
Quero te dar a paz do meu Senhor, com muito amor. (2x)
Na flor vejo manifestar o poder da criação,
Nos teus lábios eu vejo estar o sorriso de um irmão,
Toda vez que eu te abraço,
E aperto a sua mão,
Sinto forte o poder do amor, dentro do seu coração.
9. BENÇÃO FINAL
O Senhor esteja convosco!
T = Ele está no meio de nós!
Deus, Pai de misericórdia, conceda a todos vós, como concedeu ao Filho pródigo a alegria do retorno à casa!
T = Amém.
O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, vos guie nesta caminhada quaresmal a uma verdadeira conversão!
T = Amém.
O Espírito de sabedoria e fortaleza vos sustente na luta contra o mal, para poderdes com Cristo celebrar a vitória da Páscoa!
T = Amém.
Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo!
T = Amém.
Glorificai a Deus com vossa vida; Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!
T = Graças a Deus.

SECRETARIADO FRATERNO NACIONAL DA JUFRA DO BRASIL
Subsecretaria de Ação Evangelizadora
Largo São Francisco, 173 – Centro – São Paulo / SP
CEP: 01005-010

PROPOSTA DE ROTEIRO BÁSICO PARA O ENCONTRO DA FRATERNIDADE

TEMA II – QUARESMA NA FAMÍLIA.

1. PREPARAÇÃO DO AMBIENTE: imagem da Sagrada Família, recortes de
fotos/imagens de famílias, velas, Bíblia etc.

2. ACOLHIDA: Irmãos/ãs estamos aqui reunidos para repensar o sentido da quaresma
em nossas famílias. Façamos uma reflexão acerca de como vivenciamos este tempo de
graça e oração junto de nossos familiares.

3. CANTO: Estou pensando em Deus.
Estou pensando em Deus
Estou pensando no amor
Tudo podia ser melhor
Se meu povo procurasse
Nos caminhos onde andasse
Pensar mais no seu Senhor
Mas você fica esquecido
E por isso falta o amor
Tudo seria bem melhor
Se o Natal não fosse um dia
E se as mães fossem Maria
E se os pais fossem José
E se os filhos parecessem
Com Jesus de Nazaré

4. REFLEXÃO COLETIVA (relacionada ao tema do dia)

...Tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia; se as mães fossem Maria; os pais
fossem José e se a gente parecesse com Jesus de Nazaré... Tirando para reflexão essa
parte da música de Padre Zezinho, somos convidados a começar nossa conversa aberta
de hoje, vamos falar de livre e espontânea vontade como é a quaresma em nossas
famílias como vivemos com elas, se vivenciamos juntos esse período de preparação à
Páscoa do Senhor, abra seu coração e diga o que pode ser feito por você para uma
quaresma melhor.

5. TEXTO PARA DISCUSSÃO: QUARESMA NA FAMÍLIA.

Deveríamos pensar e conseguir que a oração, a catequese e a celebração
cristã do domingo têm lugar no âmbito da comunidade cristã e da paróquia, penetrasse a
família que deve tornar-se o que é: “a Igreja doméstica”. Na realidade, se assim não for, tudo quanto fazemos ao nível das nossas comunidades será isolado, pontual e desconexo, tanto para os jovens e adultos como para as crianças e, dificilmente, marcará ou animará a vida de cada dia. A família deve tornar-se o espaço da preparação da liturgia da comunidade e o eco da vida espiritual da Igreja, da liturgia celebrada. A Quaresma é a preparação para a Páscoa. A liturgia apresenta-nos a Quaresma como um caminho com Cristo. Neste caminhar, vão todos os pais e filhos, adultos e jovens, velhos e crianças, Papa, bispos, padres, catequistas, etc. Por isso, no início da Quaresma, invocamos aqueles que, trilhando este caminho, o do Evangelho, chegaram à meta: a Virgem Maria e os Santos. Estas invocações poder-se-ão repetir nas nossas casas, de modo a recordar-nos que também nós vamos a caminho e que aqueles que já terminaram nos podem ajudar com a sua intercessão. Para a Quaresma, a Igreja tem um programa próprio e original: “a oração, o jejum e a esmola”. Pela “oração”, somos convidados a abrir-nos mais a Deus, escutando a Sua Palavra e meditando-a; fazendo a experiência de uma grande intimidade com Deus que é nosso Pai e de quem somos filhos (privilegiando a oração pessoal, a sós, no silêncio do nosso quarto); experimentando que a nossa família é a família de Deus (mediante a oração comunitária, em qualquer hora do dia). Pelo “jejum”, buscamos e recuperamos a liberdade interior que nos torna sensíveis e capazes de desejar os bens mais excelentes, os valores espirituais. O “jejum” pode ter várias expressões adequadas: para além de sentir fome (Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa) ou de não comer carne às sextas-feiras (= abstinência), poderá ser ver menos televisão, desligar o computador ou a consola de jogos, não fumar, não tomar bebidas alcoólicas, não ir ao café, não comer sobremesa ou uma guloseima, falar menos, ter o telemóvel desligado a certas horas, dormir menos, etc... E, sobretudo, aceitar, de bom grado, os deveres de cada dia. Poderia haver em família uma obra comum que exprimisse este exercício do “jejum”.
Pela “esmola” se entende uma atitude de maior serviço e dedicação aos outros. Repartir os bens (nomeadamente os bens materiais) é uma atitude profundamente cristã. Mas esta atitude que engloba, antes de mais, a justiça social (pagar o justo salário a quem trabalha) e a solidariedade (repartir o seu pão).

6. REFLEXÃO DO TEXTO

1) Alguma vez você fez trabalhos junto com a sua família para uma vivencia melhor na quaresma? Pode contar como foi?
2) Qual a importância de estar junto com sua família nessa preparação do tempo Pascal?
7. ORAÇÃO: Oração da Família
Senhor, nós vos louvamos pela nossa família e agradecemos a vossa presença em nosso lar. Iluminai-nos para que sejamos capazes de assumir nosso compromisso de fé na Igreja e de participar da vida de nossa comunidade. Ensinai-nos a viver a vossa palavra e o Vosso mandamento de Amor, a exemplo da FAMÍLIA DE NAZARÉ. Concedei-nos a
capacidade de compreendermos nossas diferenças de idade, de sexo, de caráter, para nos ajudarmos mutuamente, perdoarmos nossos erros e vivermos em harmonia. Dai-nos, Senhor, saúde, trabalho e um lar onde possamos viver felizes. Ensinai-nos a partilhar o que temos com os mais necessitados e empobrecidos, e dai-nos a graça de aceitar com fé e serenidade a doença e a morte quando se aproximem de nossa família.
Ajudai-nos a respeitar e incentivar a vocação de nossos filhos quando quiserdes chamar a Vosso serviço. Que em nossa família reine a confiança, a fidelidade, o respeito mútuo, para que o amor se fortifique e nos una cada vez mais.
Permanecei em nossa família, Senhor, e abençoai nosso lar hoje e sempre. Amém!
8. CANTO – Deus nos abençoe (Zé Vicente)
Deus nos abençoe, Deus nos dê a paz.
A paz que só o amor é que nos traz. (2x)
A paz na nossa vida, no nosso coração e a benção para toda criação.
A paz na nossa casa nas ruas, no país e a benção da justiça que Deus quis.
A paz pra quem viaja, a paz pra quem ficou e a benção do conforto a quem chorou.
A paz entre as igrejas e nas religiões e a benção da irmandade entre as nações.
A paz pra toda Terra e a terra ao lavrador e a benção da fartura e do louvor

9. BENÇÃO FINAL

Nós vos bendizemos, Senhor, que na vossa infinita misericórdia, quiseste que o vosso filho feito homem, fizesse parte de uma família humana, crescendo no ambiente da intimidade doméstica e conhecendo as suas preocupações e alegrias.
Humildemente Vos pedimos Senhor: guardai e protegei a minha família para que, fortalecida pela vossa graça, goze de prosperidade, viva na concórdia e, como Igreja doméstica, seja no mundo testemunha da vossa glória.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém!

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